Confissões [sobre] a pista de dança

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Odeio fumaça, hálito de cigarro, dentes amarelados, e, portanto, nunca tive vontade de fumar. Em algumas baladas, cheguei a algumas vezes me sentir em "desvantagem" por não fazer parte do smoking team, e acabava tendo a impressão de ser um estranho no ambiente.

Primeiro porque quando a maioria das pessoas ao redor fuma seja por vício, ou por charme, isso meio que se torna quase que um imperativo entre elas. Segundo é que fumar tem um "lado aproximativo", por unir as pessoas com certa espontaneidade, num lugar que torna outras formas de contato mais óbvias, porque beiram ao desejo igualmente óbvio, antecipando o mistério que a noite proporciona.

Precisar de um isqueiro vira pretexto para qualquer tipo de aproximação intencional ou ocasional. É comum os e as fumantes pedirem fogo ao elemento estranho ou até mesmo familiar, ou, ainda, pedir um cigarro "emprestado", sem que isso necessariamente revele alguma intimidade. O jogo da sedução entre fumantes tem um aliado a mais: o hábito que compartilham, e os unem para qualquer coisa.

Oferecer fogo é diferente de, por exemplo, você se oferecer a comprar uma bebida para alguém, ato que ao meu ver já demostra uma disponibilidade um ao outro, salvo quando se trata de uma cordialidade entre as pessoas. Sem falar que ninguém em sã consciência oferece compartilhar a própria bebida com outrém, sem querer parecer desinteressado, salvo raras exceções.

Claro que existem outros fatores em jogo que tornam mais envolvente a descoberta da soma entre 1+1. O lançamento de olhares, a demarcação do espaço, as tribos que te cercam ou a ausência delas, a forma de se comportar, de dançar e de manter a aparência no decorrer da festa, e tudo aquilo que envolve uma night out, tem as suas ponderações e consequências. Ainda bem que diversidade tem vez, e talvez isso acabe se tornando um diferencial para os não-fumantes. Pelo menos é o que levo em mente.

Porém, nem sempre ser "diferenciado" pode ser legal, se você sai para "competir" num ambiente eminentemente "entre iguais". Ainda vejo que, nesse caso, há um peso e duas medidas, ou melhor, dois tamanhos de funil, numa mesma ocasião. O fumante quando encontra seu semelhante dificilmente terá problemas com a alteração no hálito e com o hábito tabagista alheio. Nada disso lhe incomodaria. Já quando tem um não-fumante na parada que dá de cara com uma chaminé, às vezes vistosa e atraente, mas sem qualquer filtro... Hum, se for chato como eu, é capaz de passar a vez. E o que resta? É, às vezes é uma questão de sorte.

Sorte é que à frente do cigarro, somente há um fator imperativo, e este é universal para salvar qualquer expectativa fracassada. É como canta o refrão: "Music, make some people get together".

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