Uma verdade inconveniente

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Depois de um tempo out, estudando pra concursos e dando uma revamp nos meus sites, aqui estou eu novamente!

A controvérsia da vez é que há poucos dias fiz parte de um processo seletivo da American Airlines. Tudo muito corrido, eles tinham pouco tempo para fechar o staff e garantir que a maior parte da equipe tivesse sucesso com aplicações para visto devido a um treinamento fora do país.

Passei por uma entrevista em que tudo correu muito bem, apesar do inglês um pouco congelado, fui aprovado, demostrei interesse e chegava a falar com brilho nos olhos, reconheço que, de primeira, a oportunidade me deixou bem empolgado.

Após entrevista, recebi uma ficha para ser submetido à etapa seguinte: o teste do polígrafo - sim, o detector de mentiras, como os das TVs sensacionalistas! Pouco antes do teste, todas as fichas do RH chegaram às minhas mãos, e fariam parte da fase final do processo admissional.

Numa sala ao lado estava o técnico enviado especialmente para descobrir quem de nós estaria apto a trabalhar na segurança na AA. Segurança? Sim, check-in. No script, questões do tipo "você possui vínculos com grupos extremistas" não são grande coisa, é fácil responder "não" para todas aquelas perguntas, para nós tão longínguas de qualquer valor, porém levadas extremamente a sério por uma sociedade marcada pelo temor a um ataque terrorista, a qualquer hora.

Mas estar preparado para revelar sua intimidade, envolvendo assuntos particulares ou que se relacionem a assuntos de família não é tarefa fácil, ainda mais estando de costas para o seu entrevistador, e seu corpo conectado com diversos sensores.

Consumo de drogas, envolvimento em processos judiciais, uso de remédio controlado, frequência em terapias e perguntas de teor moral. Tudo isso e mais um pouco foi assunto que fez com que, de 16 candidatos pré-aprovados, apenas 8 pudessem ir à diante, para desespero dos contratantes.

Em qual das metades fiquei... No grupo que não passou, felizmente, afinal de contas acabo de descobrir que esse tipo de procedimento é realizado como rotina entre os funcionários da AA, e, inclusive, tem rendido diversas ações judiciais contra a companhia por invasão de privacidade.

Não se tem qualquer feedback que esclareça as razões da não aprovação dos oito candidatos. O que se sabe é que, no caso da pessoa não falar a verdade, a máquina teria a presunção de acusar a mentira, baseado na frequência das batidas do coração, entonação e respiração.

Se a tal máquina for realmente confiável e tiver tido precisão na avaliação das minhas respostas, então o que se pode concluir é que fui rejeitado não por mentir, mas talvez por revelar uma verdade inconveniente, porém irrelevante, a ponto de ser confessada sem nenhum pesar.

E no mais, Comunicação, aqui estou eu. Obrigado, seu polígrafo.